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Teoria da internet morta ganha força com explosão de sites feitos por IA

Um estudo recente sugere que a IA está dominando a produção de conteúdo na internet, com a possibilidade de bots de inteligência artificial substituir a criação de textos e outros conteúdos. A 'Teoria da internet morta' está se tornando uma realidade com esse avanço tecnológico.

Por Wunno
29 de abril de 2026
Teoria da internet morta ganha força com explosão de sites feitos por IA

A chamada Teoria da Internet Morta voltou a ganhar força com um novo estudo sobre o crescimento de conteúdos gerados por inteligência artificial. A ideia, que antes parecia papo de fórum perdido no subsolo da web, defende que boa parte da internet estaria sendo dominada por bots, automações e conteúdos produzidos sem participação humana direta.

Agora, pesquisadores do Imperial College London, do Internet Archive e da Universidade de Stanford analisaram páginas publicadas entre 2022 e 2025 usando dados do Wayback Machine. O resultado é bem chamativo: em meados de 2025, cerca de 35% dos novos sites eram classificados como gerados ou auxiliados por IA, enquanto 17,6% eram considerados totalmente produzidos por inteligência artificial.

A internet está ficando mais automática?

Segundo o estudo, antes do lançamento público do ChatGPT, no fim de 2022, a presença de sites criados por IA era praticamente nula. Depois disso, os números começaram a subir de forma acelerada, acompanhando a popularização das ferramentas generativas.

Isso não significa que todo conteúdo online virou robô digitando sozinho em uma sala escura cheia de servidores piscando. Mas mostra que a produção automatizada deixou de ser algo experimental e passou a fazer parte real da estrutura da web.

Em outras palavras: a internet que já era cheia de spam, SEO duvidoso, caça-clique e texto reciclado agora ganhou uma turboalimentação algorítmica. É como se alguém tivesse colocado um gerador infinito de conteúdo dentro de uma máquina de monetização e dito: “vai lá, cria 800 artigos até o café esfriar”.

Representação de inteligência artificial criando páginas e conteúdos na internet

O que é a Teoria da Internet Morta?

A Teoria da Internet Morta é uma hipótese popular na cultura digital que afirma que boa parte da web deixou de ser movida por pessoas reais e passou a ser dominada por bots, conteúdo automático e interações fabricadas.

Em sua versão mais extrema, ela entra em território conspiratório, sugerindo que a internet teria sido tomada deliberadamente por automações para controlar conversas e manipular opiniões. Mas, fora do exagero conspiracionista, existe uma preocupação legítima: a web está ficando mais difícil de separar entre conteúdo humano, conteúdo automatizado e conteúdo híbrido.

O estudo não prova que a internet “morreu”, mas mostra que uma parte importante da produção de novos sites já passa por IA. E isso muda bastante a forma como consumimos informação, buscamos referências e confiamos no que aparece na tela.

Nem tudo ficou pior, segundo os pesquisadores

Um ponto interessante é que o estudo não confirma todas as preocupações mais pessimistas. Os pesquisadores encontraram sinais de que textos gerados por IA podem reduzir a diversidade semântica, ou seja, fazer a internet parecer mais parecida consigo mesma. Também encontraram indícios de aumento em textos com tom mais positivo e “limpo”.

Por outro lado, eles não encontraram evidência estatisticamente forte de que o aumento de conteúdo feito por IA esteja causando uma queda geral na precisão factual ou apagando completamente os estilos individuais de escrita.

Isso torna a discussão mais complicada. O problema talvez não seja apenas “a IA mente mais” ou “todo texto virou igual”. A questão maior pode ser a percepção: quando o usuário começa a desconfiar que tudo foi feito por máquina, até conteúdo bom passa a carregar uma nuvem de suspeita em cima.

O risco da desconfiança total

Os autores do estudo apontam um efeito perigoso: conforme textos gerados por IA se tornam mais comuns e difíceis de diferenciar da escrita humana, os usuários podem começar a desacreditar informações online de forma geral.

Esse fenômeno é preocupante porque enfraquece a confiança na internet como espaço de informação. Se tudo parece artificial, manipulado ou reciclado, fica mais fácil para qualquer pessoa dizer “isso é falso” quando encontra algo que não gosta.

É o famoso cenário em que a internet não precisa estar literalmente morta. Basta que todo mundo comece a desconfiar de tudo, o tempo inteiro, até a web virar um grande salão de espelhos onde ninguém sabe quem escreveu, quem copiou, quem gerou e quem só apertou publicar.

O impacto para games, cultura pop e tecnologia

Para a cultura pop, essa mudança é enorme. Sites de filmes, séries, games e tecnologia dependem muito de credibilidade, opinião, curadoria e personalidade. Se a web passa a ser inundada por conteúdo automático, fica mais difícil encontrar análises com voz própria, críticas realmente pensadas e notícias que não pareçam saídas de uma fábrica de parágrafos genéricos.

No mundo dos games, isso pode afetar guias, reviews, listas, rumores e até cobertura de lançamentos. Imagine procurar uma análise de um jogo novo e encontrar vinte textos quase iguais, todos dizendo que “a experiência é imersiva” sem parecer que alguém realmente encostou no controle. É o pesadelo do leitor e o paraíso do SEO preguiçoso.

Para filmes e séries, o risco é parecido. A crítica cultural pode virar um oceano de resumos reciclados, rankings automáticos e textos sem opinião real. E cultura pop sem opinião vira só catálogo com frases bonitas. Um grande streaming textual, só que sem alma, sem caos e sem aquela faísca humana que faz alguém defender um filme ruim com convicção criminosa.

Por que isso importa?

O estudo importa porque mostra que a presença da IA na internet não é mais uma tendência distante. Ela já está moldando a forma como sites são criados, como textos são publicados e como usuários percebem a informação online.

Isso não significa que usar IA seja automaticamente ruim. A tecnologia pode ajudar jornalistas, criadores, pesquisadores e produtores de conteúdo. O problema aparece quando ela vira uma esteira infinita de páginas sem contexto, sem responsabilidade e sem transparência.

Para projetos como o NerdTake, a lição é clara: quanto mais a internet fica cheia de conteúdo automático, mais valor tem uma voz humana, opinião real, apuração e personalidade. A web pode até estar ficando mais robótica, mas justamente por isso o conteúdo com cara, gosto e assinatura própria fica mais importante.

No fim, a Teoria da Internet Morta talvez não seja um apocalipse digital completo. Mas ela acendeu um alerta: se deixarmos a web virar apenas uma máquina conversando com outra máquina, a parte mais interessante da internet, a bagunça humana, pode acabar soterrada por um tsunami de texto educado, otimizado e estranhamente sem vida.

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