GTA 6 não deve ter marcas reais, e isso combina demais com a alma da franquia
Grand Theft Auto 6 é o jogo mais vendido de todos os tempos, mas Rockstar Games não pretende usar parcerias com marcas reais, pois isso não se encaixa no estilo de jogo de paródia do GTA.
GTA 6 não deve ter marcas reais, e isso combina demais com a alma da franquia Mesmo sendo um dos jogos mais aguardados da história, Grand Theft Auto 6 não deve seguir o caminho de parcerias com marcas reais dentro do jogo. Segundo Strauss Zelnick, CEO da Take-Two, o universo de GTA precisa continuar fiel à sua identidade: um mundo fictício, cheio de marcas inventadas e sátiras afiadas sobre a vida real. Tags: GTA 6, Grand Theft Auto VI, Rockstar Games, Take-Two, Games, Cultura Pop, NerdTake
GTA 6 é gigante, mas não precisa virar outdoor jogável
Grand Theft Auto 6 tem tudo para ser um dos maiores lançamentos da história dos videogames. A expectativa é absurda, o hype parece uma carreta sem freio descendo ladeira e qualquer detalhe sobre o jogo já vira assunto instantâneo entre fãs.
Mas mesmo com esse potencial comercial monstruoso, a Rockstar Games e a Take-Two não parecem interessadas em transformar Vice City e Leonida em um shopping center patrocinado. Nada de carros com marcas reais, refrigerantes reais ou fast-food real tentando vender combo dentro do caos.
E sinceramente? Ainda bem.
Por que não usar marcas reais?
Durante uma participação em evento da indústria, Strauss Zelnick explicou que GTA precisa ser fiel à sua propriedade intelectual e aos consumidores. A lógica é simples: o mundo de GTA é fictício, então as marcas também precisam ser fictícias.
Isso é parte do charme da franquia. GTA nunca foi só sobre roubar carro, fugir da polícia e causar aquele caos digital que faria qualquer seguradora pedir demissão. O jogo sempre funcionou como uma grande paródia da sociedade, cutucando empresas, redes sociais, mídia, política, celebridades, consumo e tudo mais que couber no liquidificador da sátira.
Colocar marcas reais nesse universo poderia quebrar parte dessa graça. Afinal, é muito mais GTA ter uma rede social chamada Lifeinvader do que simplesmente colocar o Facebook ali, limpinho, comportado e preocupado com manual de marca.
As marcas falsas são parte da piada
Uma das coisas mais geniais de GTA é justamente como ele cria versões tortas, exageradas e debochadas do mundo real. Restaurantes, canais de TV, carros, aplicativos e empresas aparecem como paródias escancaradas, muitas vezes mais honestas do que as próprias marcas que inspiraram a piada.
É nessa liberdade que GTA consegue bater sem pedir licença. Uma marca real provavelmente não aceitaria aparecer em um jogo onde tudo pode virar crítica, acidente, meme ou tragédia automobilística em três segundos. Já uma marca inventada pode ser destruída, ridicularizada e transformada em piada sem o departamento jurídico bater na porta.
No fim, as marcas falsas de GTA não são apenas enfeite. Elas são parte do roteiro, da ambientação e da identidade da franquia.
GTA 6 não precisa vender espaço, ele já vende o mundo inteiro
Com GTA 5 ultrapassando a marca de 225 milhões de cópias vendidas, GTA 6 chega carregando uma expectativa quase injusta. Não é só um jogo novo. É um evento cultural, daqueles que fazem a internet trocar de roupa, colocar óculos escuros e fingir que está tranquila.
Mesmo assim, a decisão de não apostar em product placement mostra que a Rockstar parece entender o próprio monstro que criou. GTA funciona porque o mundo dele é uma versão distorcida da nossa realidade, não uma vitrine licenciada por grandes empresas.
Se a franquia começasse a colocar marcas reais em tudo, parte da acidez poderia evaporar. E GTA sem acidez seria só um simulador de trânsito com péssimas decisões.
O melhor marketing de GTA ainda é ser GTA
No fim das contas, GTA 6 não precisa de uma bebida famosa, uma montadora real ou uma rede de fast-food oficial para parecer relevante. A franquia já criou suas próprias marcas, seus próprios memes e seu próprio idioma visual.
A decisão de manter tudo dentro desse universo fictício reforça aquilo que sempre fez GTA funcionar: ele não copia o mundo real, ele mastiga o mundo real e cospe uma versão absurda, cruel, engraçada e desconfortavelmente familiar.
E talvez seja exatamente por isso que GTA 6 esteja cercado por tanta expectativa. Porque quando a Rockstar acerta, ela não entrega só um jogo. Ela entrega um espelho rachado da sociedade, daqueles que fazem a gente rir primeiro e pensar só depois.
Fonte
As informações desta matéria foram baseadas em declarações de Strauss Zelnick, CEO da Take-Two, sobre a ausência de product placement e marcas reais em Grand Theft Auto 6.